domingo, 26 de março de 2017

Arto Paasilinna : "As dez mulheres do Industrial Rauno Rämekorpi" (Relógio D'Água; 2010)

O livro em português que me faltava deste escritor finlandês! Sempre naquela promoção de 5 paus na Feira do Livro de Lisboa. Parece-me que este é o livro que acusam Paasilinna de porco sexista porque mete um capitalista (um empresário é um capitalista?) a foder dez mulheres em 24 horas (!). Um proeza digna dos 12 trabalhos de Hércules e sendo um trabalho de 2001 de certeza que há aqui uma sátira ao Viagra - criado ou autorizado anos antes, em 1998. Nem é bem "foder foder", algumas mulheres que o inDUSTrial visita não acontece cópulas substituindo por alguma candura e amor. Elas ao saberem das demasiadas visitas do maroto SEXagenário vingam-se na sua segunda ronda de visitas que realiza nas festas de final de ano.
Numa era P.C. é um livro que pode ser realmente mal entendido mas é estranho que mesmo que o velho Rauno seja um porcalhão (é um coche, admito) é ainda mais estranho as pessoas achem que as personagens de um escritor tenham de ser necessáriamente os seus avatares tout-court. Não poderá um escritor pôr-se na pele do lobo, sendo ou não ovelha? Fingir-se ser um cabrãozinho? Ou será inveja do público conservador terem de admitir que os velhos gostam de pinar e que tem as mesmas fantasias de predação sexual do rapazito cheio de vigor?
Este livro não é impressionante como o esqueleto do César Monteiro na cena de cama d'As Bodas de Deus porque Arto faz o de sempre com boa disposição, ou seja, mostrar o estado da situação da sociedade finlandesa. O leitmotiv pouco importa aqui mas realmente falta-lhe a extravagância dos excursionistas suicidas ou do protector anarquista da lebre. Por mais Viagra que tenha tomado para escrever este livro, ele saiu frouxo...

sexta-feira, 24 de março de 2017

Jim DeRogatis : "Milk It!: Collected Musings on the Alternative Music Explosion of the '90s" (Da Capo Press, 2003)

 Eis um livro que tem o não-sei-o-quê de vulgaridade e até o Steve Albini avisa num texto que o autor, o jornalista DeRogatis é capaz de divulgar farsolas como os Urge Overkill invés de coisas realmente novas ou que valem a pena. Folheando o livro topa-se à distância nomes consensuais do que foram os 90s: Nirvana, Courtney Love, Pearl Jam, Smashing Pumpkins, Mudhoney, R.E.M., U2, Jesus Lizard, Tori Amos, Ride, Jon Spencer's Blues Explosion, Flaming Lips, Ween,... enfim, isto mais ou menos e por esta ordem de importância. O retracto da década está mais ou menos correcto e o perfil dos seus intervenientes também, sem que o "fairplay" - que publica a diatribe com Albini - do autor seja mundano. DeRogatis é acima de tudo um jornalista e se ele muda de opinião, como crítico, uma vez ou outra sobre uma ou outra figura, percebe-se porquê. Porque as confrontou sem aquela atitude bovina do escritor Pop/Rock (como acontece com a nossa imprensa musical), porque foi incisivo nas grandes questões de ética e de negócio ou porque discutiu na cara a incapacidade de alguns músicos serem mesmo do Rock - e o que é isso de ser do Rock? Algures, a filha de Kurt Cobain e Love tem a resposta: "o rock dura mais tempo, pop não dura muito", certo...
Tal como os Bestiários do Camarada REP, Milk it! é uma colectânea de escritos, artigos, resenhas e entrevistas entre 1990 e 2001 apanhando uma década em que pareceu ser tudo possível (outra vez) como ter uma pose genuína de anti-heróis do Rock (todos os músicos antes do suicídio de Kurt), a batalha dos Pearl Jam versus a monopolista vendedora de bilhetes Ticketmaster (boicotem! não é só a MacDonalds ou a Padaria Portuguesa que merecem boicote!) ou ouvir na rádio comercial três ou quatro temas seguidos de bom Rock (caralho! já foi possível!!!). E claro, também são mostradas as falhas e os paradoxos como os dois Woodstocks exploratórios, as multinacionais a riparem o que podiam das bandas ou do público ou como uma banda que se diz revolucionária como os Rage Against the Machine sempre fez parte da máquina (editados pela Sony), a falta de ética do jornalista que escreveu a biografia (mais ficção que outra coisa) do Marilyn Manson, etc...
O livro é bom no espectro que pretende abordar, mesmo que o seu design seja medíocre e que não se leia nada de novo ou que já não se saiba, há pelo menos uma construção metódica para perceber quais as bandas que valia ou valem a pena ouvir e conhecer e quem é a maralha oportunista.
"Alternative Music" significa Rock e Pop porque Electrónica (um género que também deu uma grande explosão nessa década) significa neste livro apenas três nomes: Kraftwerk, The Orb e Aphex Twin. Albini tinhas razão... como sempre!

segunda-feira, 6 de março de 2017

Fantasma Colonial


Depois do Jarno e da Tea, sou outra vez representado por um autor finlandês, desta vez pelo grande Marko Turunen que usa o meu nome e do Pedro Moura para contar através do seu avatar Fantasma Colonial - in Vies de Marko Turunen - as suas aventuras lisboetas em 2005 quando visitou o saudoso Salão Lisboa... Não é BD, é um texto com algumas ilustrações mas ainda assim devo ser o português mais representado na Finlândia, facto tão importante como a bibliografia do José Luís Peixoto...