sábado, 31 de março de 2012

Jah vs Allah || ADUFE BAR



De certa forma é um regresso aos OSAMAsecretLOVERS e ao DJihad ao Bairro Autismo!

sexta-feira, 30 de março de 2012

I-I-I-I



Festival de Helsínquia 2008 (?), foto sacada ao blogue do Marko Turunen, Kristiina a falar comigo, Tommi Musturi por trás, Jucifer e Marko ainda mais para trás (?).

sexta-feira, 23 de março de 2012

São uns animais... unzANIMAIS!!!!


Puppetmastaz : The Break Up (Discograph; 2009)
Techno Animal versus Reality (City Slang; 1998)

Com o avançar da idade a ideia de fazer uma discografia completa de uma banda passa a ser percebido como uma idioteira total porque são poucas as bandas ou músicos que merecem a nossa atenção e dedicação. Os Puppetmastaz são das poucas excepções à regra. Reparei que daqui uns dias vão lançar o seu quinto álbum de originais, e aproveitei para comprar o último, datado de 2009. Lá comprei mais barato por já terem passados 3 anos e assim juntei à colecção dos CDs desta banda de "marretas do Hip Hop", que agora se encontra completa porque até tenho o álbum ao vivo Clones - Live in Berlin (Louisville; 2007).
Cada disco deste bonecos toscos vale a pena: pela frescura da estreia de Creature Funk (New Noise; 2003), pelo "groove" esgroviado do segundo álbum Creature Shock Radio (Louisville; 2005) e pelo poder sólido e conceptual do The Takeover (Discograph; 2008) ... Este The Break Up é também conceptual, os "fantoches do guetho" imitam as bandas humanas tão bem que se zangam e cada elemento começa a sua carreira a solo! Assim cada faixa do disco, menos a primeira, é feita por cada elemento da banda fazendo juz ao cliché "o conjunto não é igual à soma das partes". Tendo de base o Hip Hop misturam-se vários outros estilos urbanos como o Dubstep, Electro / Techno, Ragga, Dancehall e até um Drum'n'Bass final. Os gajos que estão por detrás dos bonecos sempre souberam o que fazem, e lá porque fizeram um disco menos coeso, não é à primeira que se percebe que as faixas são malhas de alta qualidade dançável ou que o humor continua a ser inteligente e súbtil... À primeira audição parece um bocado mais do mesmo, sem as qualidades dos outros discos. É preciso dar tempo para percebermos que o que não faltam aqui são "singles" potenciais para qualquer pista de dança. Que há aqui grandes malhas que nenhum humano consegue fazer tão bem como estes patetas alegres.
Diz o figurino, que o próximo álbum será o "comeback", né? Os regressos das bandas são sempre desastrosos! Mas eu tenho fé nos Puppetmastaz!
Quanto aos Techno Animal só lamento nos anos 90 terem-me passado ao lado porque este humanos monstruosos são apenas dois dos artistas mais admiráveis Justin Broadrick (Napalm Death, Godflesh, Jesu) e Kevin Martin (Curse of the Golden Vampire, The Bug). Vêm da vaga Illbient que se criou nos anos 90, em que o Dub, ritmos Hip Hop e Industrial (ou pós-industrial ou power electronics) se funde para criar ambientes negros, de pesadelo, da má "trip". Aqui ninguém fica alegre! Este disco, curiosamente, foi feito em parceria de intercâmbio de ficheiros. Alguns artistas enviaram sons criados por eles para os Techno Animal, eles trabalharam sobre eles e fizeram algumas faixas (que aparecem no disco) e depois devolveram aos autores originais que ainda misturam o material. Assim intercalado aparecem faixas de Techno Animal com as novas (re)misturas de Porter Ricks, Ui, Spectre, Tortoise e Alec Empire (Atari Teenage Riot). O resultado não é assim tão impressionante, se ninguém disse-se o quer que fosse, não conseguiria descobrir qual o tema original e qual o tema misturado. Talvez só no último tema, Atomic Buddha, se sinta os excessos Drum'n'Bass / Digital Hardcore do Empire, projectando o que viria a ser Curse of The Golden Vampire.
Com tantas bandas de humanos inúteis que voltam, só voltam fantoches maravilhosos e menos os Techno Animal (e os Curse!)... Injustiça Cósmica! Deus odeia-nos!

sexta-feira, 16 de março de 2012

Infecção bruta





Porque raios haveria eu de me interessar pelos Wraygunn?

É bem capaz de ser um dos melhores projectos de Pop/Rock português nos dias de hoje, com uma boa e sofisticada produção que percorre os Blues e a Soul com balanço para revisitá-las sem clonagens nostálgicas ou mimetimos chatos. Este projecto está na linha de revitalização da música (negra) norte-americana onde encontramos paralelos e influências de Jim White ou (claro) Jon Spencer Blues Explosion. Wraygunn sabem o que fazem e têm pinta. Mas sejamos sinceros não passam de Pop / Rock, coisinha fofinha para agradar pessoas, marcas de telemóveis e jingles publicitários. Quem quiser o "Pop canibal" que o oiça, ao menos esta tem qualidade – coisa rara em Portugal.

O que me fascinou neste novo e quinto registo da banda é a coragem senil e provinciana de lhe intitular de L’art brut (Arthouse / EMI; 2012). Art Brut!? Mas aonde? Em meio dúzia de desenhos de um tal Artur (?) que está na embalagem do disco? A pretensão de usar o termo cunhado por Jean Dubuffet para mais uma produção medíocre de música ligeira é de bradar aos céus. Talvez porque nos últimos anos tenha havido movimentações neste tipo de arte como os acontecimentos (mais ou menos mediáticos) do Hospital Miguel Bombarda / Pavilhão de Segurança, a recuperação do filme Jaime de António Reis e Margarida Cordeiro, os Subsídios da MMMNNNRRRG, criação da Associação Portuguesa de Arte Outsider, exposição de António Peralta no Museu de Etnologia ou a futura grande mostra de Art Brut na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, etc…Até uma daquelas revistas de novas tendências paneleirosas, ou a Dif ou a Parq já não me lembro, já publicou um artigo sobre “art brut” há poucos meses... O termo deve estar mesmo na moda, até há uns ranhosos do Indie Rock ingleses / alemães chamados de Art Brut...

E como Wraygunn e as centenas de bandas Pop / Rock deste planeta nada têm mais nada a dizer, decicidiram investir neste “novo” conceito “cool”. O que é estranho porque vivemos momentos terríveis de crise económica, social e ambiental que são ricas para comentário político ou para exercício de novas praticas de inovação / mudança – mas não, os Wraygunn fazem parte daquela facção do Rock que afirma que não se mete em política, que o Rock é apenas para divertir, etc… Pá, divirtam-se, façam dinheiro com os concertos, façam-se à vida, agora não se armem em espertos que o pessoal não é burro!

É natural que quem descubra a Art Brut – ou Outsider Art ou Arte Crua – fique fascinado por ela e queira divulgá-la ou associar-se a ela – eu que o diga com o projecto editorial MMMNNNRRRG. Os seus autores, todos eles marginais do mundo da arte comercial ou institucional, fazem arte (desenho, pintura, escultura, instalação, arquitectura, decoração) a maior parte das vezes em autismo com o mundo, fazem-no porque é a única forma de expressão que conhecem e os resultados que surgem tendem a ser cosmogónicos e inéditos em criatividade – estes artistas não têm as referências artísticas da cultura oficial. Exemplos: o brasileiro Estevão Silva da Conceição criou na sua favela um edifício parecido com as construções de Antoni Gaudi sem no entanto alguma vez ter conhecido a obra do arquitecto catalão; Henry Dagger criou o maior livro de sempre de 15 145 páginas onde conta a história das suas “Vivian Girls”, um universo que criou em seis décadas às escondidas de todos até o seu quarto ser invadido após a sua morte. Na música também há “outsiders” para além daqueles que se gostam de chamar “underground” porque é uma forma de auto-promoção, como André Robillard, Daniel Johnston ou Wesley Willis… Podia dar mais mil exemplos que não se encontra nenhum paralelo com Wraygunn porque esta malta da banda não sofre de doenças mentais, sabe vender bem o seu peixe e têm tanta visão ou imagética como centenas de outros branquinhos do mundo ocidental que gostam de Rock.

O última tema do disco, I’m for real, tenta ser a única justificação deixada pela banda para se afirmar como criadores compulsivos e que se estão a cagar para categorias musicais, que ‘tão fartos de fakes e isso tudo. Yeah! Somos a cena real, tásjaver!? Sim vejo perfeitamente até porque até percebo "americano"... O que é bom na "cultura digital" é que tudo é imaterial, recebi o disco dos Wraygunn em sistema de descarga, ouvi o que tive de ouvir no Mediaplayer e a seguir deitei-o no caixote do lixo do PC. Só falta carregar na função “esvaziar reciclagem”.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Mais mistérios africanos (work-in-progress)


Há um mês (creio) fui à Feira da Ladra e tive uma sorte! Cinco CDs de música Afro-Pop a Cinco Euros!!!!
Queria começar pelo mais xunga deles todos mas não encontro mesmo nenhuma informação. alguém sabe dos Two Faces (nome da banda e do disco) editado pela RMS (Reis Musica e Som lda) de 1997? São três elementos: Luis Rafael, Maya Cool e Bruno Castro... É uma espécie de Afro-Dance Music que lembra um kuduro "light", proto-kizomba e até mesmo reggaeton (o tema Remexe). As letras são de ressabiado ou de tímido que queria fazer amor com uma gaja, o gajo que canta sofre e é sofrível - além de rídiculo, no caso do tema 2 Faces, tema cantado em português e em inglês: O teu amor não é sincero / alimentaste o meu ciúme / nunca foi dado por inteiro / Não me amas-te de verdade [bla bla bla + um rap manhoso] You got 2 Faces! Agradeceria informações se alguém souber alguma coisa deste curioso agrupamento pós-qualquer-coisa de origem angolana (?). Entretanto já digitalizei a capa...
Vamos para Cabo Verde com Varela Monteiro Bodinho, um star do Funáná em balizas de Afropop bem definidas em que até de vez enquando entram guitarradas fatelas de Rock FM. Um só coração (Cape Disco; 2001) têm meia-hora de festinha roça - convém sempre ter namorada nestas andanças africanas! - em que temas como Projecto ou Ta Pila dão vontade de fazer coreografias badalhocas com... a pila. Divertido apesar do aspecto betinho do Bodinho q.b.
Segue-se para Raiss di Funáná que vão no seu terceiro registo com Dja bêm (Afro-Line; 2003). O nome não engana estamos perante um colectivo de Funáná - original do Bairro da Pedreira dos Húngaros - que existe desde 1998 com este nome embora a sua história remote ao final dos anos 80 como um grupo de dança e musical Pila-Kana. O primeiro tema do disco mostra que este grupo não são meninos com fraldinhas mijadas, aqui há seis homens de óculos escuros mafia-style e uma dúia com fúria de viver, que se atiram a ritmos altamente acelerados (que começa com um sample de carro a abrir!) que só com coca e speeds é que se consegue acompanhar isto! Parece que um gajo levou com a pila depois de ouvir estes 41m de música africana bombada à velocidade estúpida do mundo ocidental. Brutal!
Também a viver em Portugal, na Buraca, Jorge Nêto é um grande nome do Afropop com raízes em Cabo Verde, embora Dia diferenti (Cabo Verde Productions; 2003) tenha sido gravado na Holanda - como aliás, acontece com muita boa música de Cabo Verde! - quando o músico vivia por lá. Cheio de energia e percorrendo vários estilos: Kizomba, Funáná, Zouk, etc...
Por fim Biere Noire (ou Alain Deloumeaux?) é um granda alien! E não é porque tem pinta de bichona mas porque Lé 3B : ou inme tchouye ou pe mo (Atis;199_?) começa logo com um orgão tirado do espaço, o ritmo Zouk é bom para roçar e a voz do mano... a voz do mano! Canta num francês crioulado da Guadalupe (ilha nas Antilhas) mas com um timbre afemininado e arrastado que muitas vezes parece um pato disléxico - alguém imagina tal coisa? Pois... Algumas música são do pior como Maladie d'Amour, é do mais azeiteiro possível mas há outras de um mistério linguístico que encantam como Ka yo dire sou moin.
Sendo das Antilhas não deveria se quer estar nests "post africano" mas como é tão misterioso ao nível da informação como os discos africanos, lixa-se e fica a aqui mesmo... Afinal, quem percebe este gajo que ora assina Biere Noire, ou Jocelyne Bierre Noire ou Alain Deloumeaux? Que no blogue desactualizado dele tanto se auto-intitula como o "boss do zouk" como noutro lado qualquer na 'net é o "mendigo do zouk"? Descobrir a capa do disco? Ah! Tarefa de titã, tomem que digitalizei: