terça-feira, 15 de março de 2011

Trust



Uma ida à Carbono para colar um certo belo cartaz fez-me disparar o sentido consumista há muito adormecido. Mas nada de CD's de 10 euros ou vinis de 5eur... nã! Fui ao refugo dos CD's a 2,5 eur que a loja nem se dá ao trabalho de guardar a rodela fora da caixa. E encontrei na secção Metal/Goth umas coisas bizarras que me puxavam prá nostalgia do Rock Industrial dos anos 90. Não resisti em comprar 4 CD's por causa:
a) da editora: Afterburn : WaxTrax! Records '94 and beyond (WaxTrax / TVT; 1994), compilação com os meus queridos KMFDM, e Pig, Die Warzau, Chris Connelly, e mais conhecido ainda Underworld e Richard H. Kirk (Cabaret Voltaire). A WaxTrax! foi uma editora que lançou os mamados do electro-industrial norte-americano (de Chicago) que produziram obras inesquecíveis ou pelo menos os melhores nomes de bandas como Revolting Cocks ou 1000 Homo DJ's. Também levavam para a América licenças de disco do melhor que se produzia na Europa como Laibach ou Front 242. No príncipio dos anos 90, com a explosão da "música alternativa", os artistas começaram a fugir da WaxTrax para irem para editoras "majors" (e no caminho a lixarem-se com isso, como aconteceu com os Melvins ou os Butthole Surfers) deixando as editoras "indies" à rasca, ou seja, sem os artistas que vendiam melhor. A TVT comprou a WaxTrax e passou a meter toda a música electrónica nesta "label", sobretudo licenças da Warp para os EUA. Esta compilação é disso resultado, entre o Electro-Rock-Industrial de marca como os KMFDM (que procurava) saltam os beats limpos e bem-comportados de Mark Franklin, B-12,... Talvez este foi o epitáfio da "label", acertei na mouche!
b) do nome: Vómito Negro seria o suficiente comprar só pelo nome... Vale os 2,5 eur! Mas comprei porque conhecia o nome destes belgas nos meus velhos tempos de Universidade embora não me lembre de alguma vez os ter escutado. Bom... tive de os experimentar tal como se experimentam drogas novas... The New Drug (Antler Subway; 1991) é o quarto álbum desta banda electro-industrial que baseia-se nos Cabaret Voltaire e salta para as linhas posteriores de exploração dos conterrâneos Front 242 ou dos Skinny Puppy. As faixas dividem-se EBM de primórdios e em Dark Ambients. Tem força dramática para não se querer dançar...
c) da capa: ia jurar que à primeira vista que Also sprach Johann Paul II (A.M.D.G.; 1997) de 300.000 V.K., seria uma banda de Power-Metal cristão. Fiquei banzado com esta capa do papa-porco-polaco e a contra-capa com o tipo vestido de armadura!? Como é possível tal obra? Como ficar admirado? Ainda há pouco tempo fizeram um musical dedicado ao Papa morto e eque esteve em exibição em Lisboa porque não um CD de... Techno!? Algures vi uma referência ao NSK e percebi que havia dedo dos Laibach por aqui. Investigações posteriores confirmaram isso, é um projecto paralelo de alguns membros do grupo esloveno que neste segundo disco fazem um Techno Trance tão chato como o Techno Trance geralmente é. No meio é identificável alguns maneirismos militares de Laibach mas basicamente é uma bosta musical total. Dedica-se ao triunfo do Cristianismo, ao Nietzsche, ao Richard Strauss e a Zaratustra mas os sinais "iconoclastas" são dificeis de identificar deixando no fim sem paciência para os decifrar. Certo mesmo é que ei-de oferecer este CD a alguém que curta Deus e isso tudo...
d) da imagem da banda: os Skin Chamber mal sabia que era um projecto paralelo dos Controlled Bleeding, projecto mítico q.b. já editado em Portugal na Fast Forward e nos CDs da colecção Antibothis. Este álbum de estreia - só haveria mais outro álbum - Wound (Roadrunner; 1991) tem umas fotos homoeróticas da banda com os dois tipos em tronco nu ou em couro num ambiente de garagem / fábrica abandonada. Coisa paneleirota mas a indicar o Industrial, tipo Tom of Finland com ferrugem que receava a ser aldrabado pró EBM. Mas não! O som é uma brutalidade Industrial-Metal mais próxima e pesada de Godflesh do que Ministry e tão lenta e "mantrica" como Swans. Apesar destas balizas não é um disco para ser desprezado porque é como se fosse Grindcore em slowmotion!!!

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