quinta-feira, 29 de julho de 2010

Loverboy (1982-2070)



Uma bd em que mato o Loverboy. Foi publicado no zine Amo-te #1 (da Escola António Arroio, em 2000) a convite da Jucifer (que ainda não era Jucifer). Esta bd fazia parte da minha frustração que tinha de ter cedido os direitos aos cabrões da Polvo - a editora que lançou os três volumes e que foram sempre intratáveis, creio que não há nada pior que saber que as pessoas da mesma geração sejam cães entre elas, o normal será que os velhos e os jovens se odeiem, não as pessoas da mesma geração. Era ingénuo, claro está!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Caduco


Sleepytime Gorilla Museum : In glorious times (The End; 2007)

A descoberta do álbum Of Natural History deixou-me à rasca em relação aos preconceitos do Prog - e pelo que eu sei, também os mais dogmáticos da cena ficaram à toa com esta banda, ouvi dizer que os velhinhos do Prog tiveram de tirar o chapéu a estes norte-americanos... Três anos depois de ter saído oficialmente In Glorious Times e já sem escrever para Underworld's para pensar em novidades editoriais lembrei-me da banda e toca a ir ao Amazon.fr fazer uma compra em estilo "novo mas com o preço em baixa" (ou seja a metade do preço de quando foi lançado). E lá veio a rodela e a sua embalagem digipack...
A primeira audição levou-me para a desilusão, algo de vulgar vagueia pelo disco, um vulgar Sleeptime Gorilla Museum!? Ou que não quer dizer um vulgar "rock" de bandas chatas e balofas que passam todos os dias nos Santos Media e afins. Esta vulgaridade da banda será de longe negativa, ouvindo mais umas quinhentas vezes sem conta (porque faço isso mesmo) vai-se percebendo os bons momentos mas também os excessos e tiques do estilo SGM. No fundo o que se passa aqui é que esperava a frescura do tal primeiro álbum que ouvi, pensando que seria uma banda que continuasse a romper barreiras musicais como parecia que faziam nesse disco Of Natural History. Não esperava uma cristalização da banda - um engano básico que pariu esta desilusão. Mas acima de tudo é um Direito da banda, a cristalização... Depois disso? O álbum vai-se construindo na cabeça com os seus momentos que alternam entre o épico energético metaleiro e o nostálgico patético progressivo, tudo isto com o ambiente negro e circense de Freaks (o filme de Tod Browning).
Há um pesar neste álbum que se sente de alguma forma, uma vez que prestam homenagem a Per Frydahl, irmão de Nils Frydahl, guitarrista, fundador e principal compositor da banda. Per Frydahl morrreu em 2005 e era um "artista bruto" que inspirou a banda durante imenso tempo bem como contribuiu com desenhos para as capas dos discos - assinava também como Ward C. Picnic (inspirado na série de bd Zippy the pinhead) e pouco mais descobri.
É preciso é ir sem expectativas...

terça-feira, 27 de julho de 2010

domingo, 18 de julho de 2010

Single cover up (your ass)


Nat "King" Cole : Cole Español (Capitol / Valetim de Carvalho; 1958?)
Café Créme : Unlimited Citations (Pathé / Valetim de Carvalho; 1977)

A música Pop sempre foi muito plástica... e isto é uma forma simpática para não dizer que a música é uma grande puta. E estes dois singles provam isso. Por um lado o Rei do Jazz Cole versiona quatro temas para castelhano, numa óbvia tentiva de conquistar mercados não-anglofonos - e ao que parece a manobra rendeu-lhe popularidade. As orquestrações são "latin-flavour" e o senhor canta fonéticamente provavelmente sem saber o que está a dizer. O acento "bife" de quem não domina a língua sobre o tom galã torna a coisa idiota e divertida q.b. Mais tarde nos anos setenta aconselho ouvirem também os ABBA em castelhano (La Reina Dansante) ou o David Bowie em italiano (o Space Oddity transforma-se em Ragazzo Solo, Ragazza Sola acreditem ou não!). Pero lo peor, tio!, es escuchar los Beattles en sonido Disco por un grupo de canadenses (o holandeses, no ay entendido en la Internet) que hacen um meddley de 10 minutos de puta madre. Coño! Café Creme hay sido un grupito de estudio solo para hacer diñero dos Fab Four (ler com sotaque espanhol qualquer estrangeirismo, sff) y de la fiebre Disco en los años 70. Conseguen la proeza de juntar las letras de los de Manchester en situaciones tan obvias como acabar Come Back para cambiar a Back to USSR. Que cabrones! Pero divertido, claro! En los creditos la grabadora se llama Bimbo... muy bien!

PS - as capas são sacadas algures da 'net - via google image - e são de edições de outras nacionalidades...
PPS - comprei estas coisas em Fevereiro do ano passado no Porto... mas só agora reparei na capa do Cole que parece uma montagem fotográfica. No disco falam na gravação em Havana mas os "indígenas" parecem da Bolívia, Peru ou algo assim, não?

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Achados

No Sábado passado a Casa da Achada (onde acontece o PEQUENO é bom!) fez uma feira na rua e estas foram as minhas compras: três LP's que já devem ser raridades pelo que percebi pelas pequenas investigações na 'net.
Investigações essas super-necessárias porque caso se lembram deste "post" a discografia do Bonga é um caos! Desta vez arranjei mesmo o Kualuka Kuetu (Phillips / Polygram; 1983) mas a capa não corresponde a que está na 'net! A capa que tenho nem se quer aparece numa pesquisa "google images", curiosamente tal como Massemba também tem um desenho (não muito bonito mas que resulta em grande / em formato vinil LP) de Eleutério Sanches, enquanto que a capa oficial (?) que está na 'net é o Bonga com um coqueiro por trás... Bom, o álbum não escapa às investidas que são habituais do Bonga-man, a excepção vai para tema que fecha o disco, o Blues 9.9.9., que percorre um Jazz meio Freaky... Estranho!
Para a Guiné-Bissau temos José Carlos com Djiu di Galinha (Departamento de Edição - Difusão do Livro e do Disco, do Comissariado de Estado da Guiné-Bissau; 1978), comprei por ter reconhecido o tema do LP - gravado pelos Voz de Cabo Verde. José Carlos foi um combatente dos direitos independentistas africanos que chegou a sofrer a prisão pela PIDE. Morreu com 27 anos em Cuba em acção diplomática ficando este LP - creio que o segundo da sua carreira - como título póstumo e de homenagem à sua respeitada figura e da sua arte. Mais acústico e menos dançável que outros discos africanos, é um bom álbum que tem quase um sentido Soul, e até psicadélicos como o tema Flema de Corçon. Filho de africana e de um alemão, o último nome dele era Schwarz, que quer dizer preto em alemão... Que espécie de piada se pode fazer aqui?
Quanto ao Quinteto Violado, álbum homónimo de 1972 (Philips), foi-me indicado como uma dos melhores álbuns de sempre de música brasileira. É realmente interessante e simpático, com guitarras e flauta acústicos com o sabor nordestino, mas admito que música brasileira comigo não, violão! E só guardo o disco por causa da capa-ácidos-anos-70, que podia ter sido por qualquer artista da Métal Hurlant - tipo o Caza ou o Druillet, não? Esperava algo mais "mutante" com tal capa. Entretanto descobri esta estória que é genial! Realmente faz mais sentido as gaivotas depois da bronca desta capa "original"...
Resta dizer que estas belezas vinilicas vieram para casa a 2eur cada!

terça-feira, 13 de julho de 2010

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Axas que não

Costuleta : Bomba Kuduro 2008/2009 (Sons d'África; 2009)
Conheci o trabalho do Costuleta quando escrevi isto... mal sabia que ele teria tão impacto mais tarde! Em Maio, perdemos a primeira camioneta para Beja com o convidado croata Igor Hofbauer e como ainda tinhamos quase duas horas de espera para a próxima camioneta decidimos ir dar uma volta pela jardim da Gulbenkian. A caminho topámos a praça de Espanha aquelas barraquinhas de africanos onde vendem coisas maravilhosas. Saímos e logo na primeira barraca de música apareceu em destaque o DVD (+ CD áudio) do Costuleta!
Como disse já conhecia este grande artista do Kuduro, que tem como particularidade a falta de uma perna fazendo dos vídeos dele um verdadeiro "freak show" em que o senhor dança com a sua deficiência em verdadeiro estado de espanto de quem vê: com e sem muletas e até com uma prótese - para parecer mais espectacular muitas vezes aceleram a gravação sobretudo quando o artista se atira para o chão e dá umas voltas de pseudo-break-dance... A acompanhar o senhor perneta estão os seus "boys" todos em encanto de luxúria gangsta-MTV-3ºMundo e montes de gajas a abanar rabos, quando sem querer não se mostra algumas mamas molhadinhas - ah! todos juntos também simulam sexo nos sítios mais estranhos possíveis: na piscina de plástico e nas árvores é o que me lembro porque ainda não vi todo DVD. Para dizer a verdade acho que nem vou conseguir fazer, depois de 5 minutos de bundas (duração média de cada vídeo-clip), a coisa começa a enjoar (os caucasianos não tem tesão!?) e só sem querer é que se pode apanhar cenas bizarras, como um parte de um vídeoém que o artista vestido de monge (Franciscano!?) a dançar/ cantar/ caminhar pela rua acompanhado pela sua trupe, bófia e público!
O CD é Kuduro lixado, sempre a arrebentar mensagens brutais de sexo («abusou no... anos...»), ego-trip, gangstarismo amador e até algumas piadinhas - como uma tipa a dizer à Beyoncée para ir passear que agora o Jay-Z está apaixonada por ela. O CD não é só do Costuleta, deve ser uma colectânea mas ninguém está creditado na embalagem e isso... Mais mistério africano!
De resto, o Igor foi dar uma volta, perdi-o, ele perdeu o autocarro, encontramo-nos em Beja para "dois dedos de conversa" (conversa pública com o autor) e enquanto ele não vinha, para distrair e atrair público coloquei o DVD em altos berros lá no Festival.... Foi quase glorioso!