Quarta-feira, 15 de Maio de 2013

CENAS QUE CURTO em 2013



1. Marín Lòpez Lam : Parte de todo esto (De Ponent)
2. Simon Reynolds: Retromania : Pop Culture's Addiction to its Own Past (Faber and Faber; 2011)
3. Tommi Musturi : Beating (Huuda Huuda + 5eme Couche)
4. Berliac : Playground (Ediciones Valientes)
5. Joana Sá & Luís José Martins : Almost a song (Shhpuma)
6. Antibothis, vol. 4 (Chili Com Carne + Thisco)
7. Ursula K. Le Guin : Os Despojados - Uma Utopia Ambígua (Europa-América; 1983)
8. José Saramago : O Evangelho segundo Jesus Cristo (Caminho; 1991)
9. David Campos : Kassumai (Chili Com Carne)
10. Amanda Baeza : Our Library (Mini Kuš! #13)

Como construir uma bomba nuclear...

Finalmente arranjei o meu exemplar do OH RÍÍÍÍCA.... Não seja chACTA, um manual faz-tu-mesm@ de partilha livre de conhecimentos em formato de fanzine A5.
De como proteger de violência policial a fazer seitan caseiro, fazer um cocktail molotov ou sacar electricidade à pala da minha parte fiz sobre como enviar livros pelos CTT mais baratos, informação útil e que poupa uns bons trocos para qualquer pessoa que goste de enviar os livros aos amigos...
A BD foi feita há um ano atrás mas encontrar punks velhos para dar um zine é obra! Boa sorte para quem se interessar, pedidos prá aqui

Entretanto, e já que os Punks funcionais também funcionam mal, esta BD é capaz de ter uma segunda vida mais prática e mais difusa no próximo número do Cru - o #49 (!) dedicado ao "Ódio" (!), caralho, o que a minha BD está lá fazer ali? Eu não odeio os CTT!!! Bom... eis a capa e fiquem a saber que já podem comprar a publicação!







Terça-feira, 14 de Maio de 2013

O disco mais fodido de 1980 e o disco mais cool de 1981



Yello : Solid Pleasures (1980) + Claro que si (1981)
(Ralph / Vertigo)

O título é exagerado como é óbvio, em 1980 deve ter havido discos mais fodidos e discos mais "cool" em 1981... O meu interesse e fascínio por Yello começou pelo Claro que si comprado na Feira da Ladra nos inícios dos anos 90, deles conhecia o vídeo-clip do tema The Race (de 1988) e pouco mais. O vídeo e o som eram extravagantes para quem estava condicionado aos programas de TV como o Top + nos anos 80 em Portugal. Já ter passado não sei aonde na TV e não me esquecer deles (pudera!) foi uma sorte. Apesar de nos anos 90 querer afastar-me do Pop "mainstream" à descoberta da "música alternativa" tinha curiosidade na banda e comprei o disco por 500 paus, hoje, 2,5 euros mas que ainda era coisa cara para um disco em segunda mão na altura. Rendeu porque é um dos meus discos favoritos de sempre.
Começa com Daily Disco e tal como quase tudo dos Yello parece errado e tosco apesar dos grandes padrões de produção sonora - Boris Blank é conhecido por ser um picuínhas nos sons que produz - mas o "disco" que tocam não tem a "fiesta" dos Boney M nem coisa que se pareça. Sobretudo não tem uma fantasia escapista, os temas parecem que foram feitos por pessoas deprimidas sabendo que o Prozac só irá aparecer na década seguinte - e a essa espera é dolorosamente eterna! Esta é uma hipótese, a outra é que soa a boémios blasées - uma forte hipótese, porque se Yello não é "working class heroes" também não é "teeny bopper", o milionário vocalista Boris Meier entrou na banda já com uns 30 anos. Na altura levei um duche de água fria porque Claro que si não era uma electro-fanfarra como conhecia do tema The Race. Em compensação conheci uma música cheia de ambientes noturnos, cinematográficos e cínicos, que mudam de camisa de faixa em faixa, passando pelo Reggae falsificado de Ballet Mecanique, ao igualmente falsificado (?) Cuad El Habib - um tema Dark Synth com letra e voz em árabe - voltando ao Disco para camionista que é The Lorry e que até para não haver dúvidas inclui um solo xunga de guitarra à ZZ Top. Depois metem-se na selva New Age de Homer Hossa; e por fim, acabam com Pinball Cha Cha que dá a pista do que os Yello seriam mais conhecidos no futuro, ou seja, andróides dandys com suor latino-americano, caricaturas de machismo e de ar Retro.
Recentemente, numa feira de discos na Matéria Prima (do Porto) encontrei o Solid Pleasure, primeiro álbum do grupo que comprei a 6 euros (roubo de merda, a edição é uma porcaria!) e foi novamante um choque! Claro que primeiro estranha-se e depois... Repete algumas coisas do Claro que si, do Disco tosco (Downtown Samba) ao tal "Reggae falsificado" (Rock Stop), só fica de fora é o arabesco. O que entra é que é inesperado, nomeadamente os temas Assistant's cry e Stanztrigger, o primeiro parece Test Dept se estes tivessem previsto os "call-centers".  Os temas imediatamente anteriores, Magneto e Massage, só ajudam para criar esse ambiente Industrial, tanto que a primeira vez pensava que eram um tema só. Stanztrigger podia ser sem querer dos Throbbing Gristle se estes fossem mais técnicos. Acaba com Bananas to the beat parecido ao que viria ser um ano depois a conclusão de Claro que si com o Pinball Cha Cha.
Não esperava esta aproximação industrial nos Yello, habituado a vê-los como flâneurs pós-modernos ou uma raça pós-colonialista em extinção mas pesquisando vê-se que estes temas em específico tinham como créditos Carlos Peron, que abandonaria o projecto e fará bandas sonoras Dark fatelas e EBM sem piada. Peron foi com Blank o fundador dos Yello.  Meier entrou mais tarde para voz / letras / videos fazendo deles um trio - e não o duo que estamos habituados a ver. Tem piada que o tipo com o nome latino pelos vistos queria ser um europeu chato do pós-industrial enquanto os que tem nome mais germânicos queriam era libertar a franga.
Seja como for, são dois álbuns fabulosos, que obrigam a ouvir como deve ser tão cheio de histórias e universos em cada faixa, curiosamente são discos cada um com menos de 40 minutos! É incrivel como as bandas até há mais de 20 anos atrás eram capazes de fazer discos com vários tipos de música - ex.: Kashmir dos Led Zep, qualquer tema dos Mano Negra, os três primeiros discos de Ministry com Paul Barker, os Mão Morta, Beastie Boys, Talking Heads, etc, etc, etc,... Nos dias de hoje, as bandas fazem discos em que tocam o mesmo tema vezes o número de faixas do disco. Quem explora um nicho de mercado, seja Punk seja EBM seja Indie, tem de trabalhar como robots para os círcuitos comerciais que há em cada um desses nichos, que geralmente são completamente conservadores - se encontrarem um gótico que curta ska será de admirar, por exemplo. Ouvir Yello no século XXI pode parecer um bocado triste mas a verdade é que ninguém é capaz de fazer mais discos assim - e ao que parece, nem eles próprios que foram envelhecendo senilmente. Entre Yello ou uma merda indescritível como os Vampire Weekend mais vale ouvir uns velhotes, não por sentimentos de nostalgia (não os ouvi na altura e na realidade podia o ter feito era adolescente nos anos 80) ou por ser vintage (a idioteira do século XXI). Vale apenas pela qualidade comprovada, no fundo, é a mesma coisa como ter de escolher entre um livro do Graham Greene e um Peixoto que ande prái...

Segunda-feira, 6 de Maio de 2013

Falha de memória



Omala : Relicon (Frequent Frenzy; 1991)

A loucura do presente? O presente da loucura? Vamos até 1994 ou 1995 quando descobri a compilação Art of Life (Fast Forward ; 1993) que para mim será sempre o melhor disco de música experimental - não só porque foi a primeira colectênea de música "fora" que ouvi mas porque os projectos têm realmente interesse. Entre eles encontravam-se os suecos Omala com um tema muito bonito e hipnótico, Helicoid, drone de oito minutos que pensava que era a onda do projecto.
Anos mais tarde, 2013 aliás, a Internet e a discogs.com  oferecem o que quisermos, basta ter alguns euros no paypal para satisfazer as nossas vontades. Lembrei-me dos Omala não sei porquê, e apesar de ter a hipótese de ouvir primeiro este disco antes de o comprar, decidi não o fazer porque sei que tudo o que saco para computador não oiço e/ou vai parar ao lixo mais tarde ou mais cedo.
Omala é uma segunda geração de som Industrial, e por isso é menos martelada pneumática e serrote amplificado e mais electrónico. Este álbum é uma compilação de temas que sairam no seu único disco de originais (?), juntamente com temas de instalações e performances enchendo o CD de informação / tempo, tornando a sua escuta integral tão pesada como tantos outros discos que andam por aí. Os momentos variam em música ambiental Dark e Synth Industrial, e até há situações que lembra os Goblin com as suas bandas sonoras para filmes de terror italianos. Talvez se possa meter os Omala numa intersecção entre Laibach e Skinny Puppy sem qualquer construção de canção. Os drones planantes e suaves à Helicoid é que nem "ouvisto". Nada.
É óbvio que me arrependi de comprar o disco, realmente mais valia ter "checado" antes no youtube ou descarregando o dito cujo invés de gastar dinheiro mas pelo menos sei que o ouvi como deve ser e com interesse, coisa que não posso dizer de tanta outras coisas que tenho descarregado... Estes gestos soam a anacrónico e a rídiculo, afinal como é que alguém em 2013 vai comprar um disco sem o ouvir primeiro na 'net? Mas considerando que o que é rídiculo mesmo é comprar discos a mais de 10 euros e que as melhores coisas da vida são aquelas que são conquistadas com esforço, acho que só assim é que vale a pensa ouvir música nos dias de hoje, não? Senão é fácil demais.
Uma batota positiva?

Sexta-feira, 3 de Maio de 2013

Curti da crítica!

A Sara Figueiredo Costa escreveu sobre o Mesinha #23 na revista Ler:

Experiências e Abanões

O volume em formato de bolso, com a lombada a deixar as entranhas da encadernação à mostra, não parece enquadrar-se no universo fanzinesco, mas este Inverno é mesmo o número 23 do Mesinha de Cabeceira (MdC), fanzine já mítico editado pela Chili Com Carne que cumpriu recentemente duas décadas de vida.

Na introdução, o editor Marcos Farrajota fala dos vinte anos da publicação com o à vontade vernacular que o caracteriza e explica que o primeiro MdC nasceu da necessidade: não havendo publicações dispostas a acolher a sua produção, a de Pedro Brito (o outro editor do fanzine, nos primeiros anos) e a de vários autores que começavam a experimentar os terrenos da banda desenhada, criaram uma que o fizesse e ainda experimentaram a satisfação da vingança. O que talvez não tenham imaginado foi o potencial que se guardava naquelas primeiras páginas, em 1992, e que haveria de desenvolver-se numa teia de colaborações, experimentalismos, abanões estéticos e narrativos de toda a espécie e a capacidade de manter uma publicação arejada e vibrante ao longo de tanto tempo. De tal modo que quem queira, hoje, conhecer o que se faz no campo da banda desenhada de autor e com poucas preocupações comerciais pode continuar a usar o MdC, e concretamente este número 23, como guia fiável.

A lista de autores inclui vários suspeitos do costume, presenças habituais neste universo editorial que aqui confirmam a evolução natural que duas décadas de persistência e talento permitem (casos de João Fazenda, João Chambel, Filipe Abranches ou Bruno Borges), e algumas colaborações novas, como Sílvia Rodrigues, Uganda Lebre ou Lucas Almeida, entre muitos outros. Desta colecção de nomes e trabalhos resulta um gesto que mantém em forma elevada aquilo que a Chili sempre conseguiu produzir nas suas antologias de maior dimensão: uma babel de traços e estilos numa estranha e inquietante harmonia, o que dá ao volume uma coerência que não pode ter sido planeada mas que é o melhor exemplo dos motivos que mantêm estas pessoas a trabalhar juntas há tanto tempo. E se a coerência do conjunto não nasce do traço ou do estilo, é provável que se deva aos temas, uma radiografia nítida daquilo a que chamamos ar do tempo, com o tom apocalíptico, o peso do desperdício, a contaminação (real, nos montes de lixo que excedem da indústria de consumo e ocupam os campos, e visual, nas manchas que parecem alastrar como fungos) e uma certa ideia de no future que deve muito ao punk, mas deve ainda mais aos dias que vivemos.

Terça-feira, 30 de Abril de 2013

Zines luso-brasileiros na Livraria Sá da Costa


Novos números dos zines Prego e Mesinha de Cabeceira: no Prego que é um especial "Drogas" participam vários autores brasileiros e os portugueses Marcos Farrajota e Rudolfo - cada um deles desenha o argumento do outro; no Mesinha de Cabeceira participam Dr. Uránio, Marcos Farrajota e o francês Davi Bartex.

#25


Edição MMMNNNRRRG. Capa de Dr. Uránio. BDs de Marcos Farrajota e Davi Bartex. Design: Joana Pires
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Este novo Mesinha de Cabeceira, que ainda recentmente comemorou 20 anos de existência, faz uma continução da fórmula do número anterior, desta vez com Farrajota a duplicar as páginas para contar histórias sobre apartamentos e instituições públicas de Lisboa, ou melhor sobre os seus abandonos e decadências. Este é segundo capítulo do "Desobediência é um artigo de colecção", trabalho de Farrajota desenvolvido numa residência artística na Finlândia. O convidado Bartex é francês, tendo residido em Lisboa durante algum tempos nos príncipios do milénio tendo feito esta BD que andou perdida uns 10 anos. Bartex é conhecido pelos seus encantadores e monstruosos trabalhos de animação de rua - e também andou nas míticas tournês de barco feita dos Mano Negra pelas costas africanas e sul-americanas.
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Já está à venda na loja online da CCC, em Montemor-o-Novo na Fonte das Letras e em Lisboa na Livraria Sá da Costa!
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Edição limitada de 333 exemplares. Pode ser lido na íntegra aqui. Lançado no dia 30 de Abril na Sá da Costa com o Prego #6.

Segunda-feira, 29 de Abril de 2013

20 anos de Loverboy...


Em Junho faz 20 anos que o Loverboy saiu pela primeira vez em papel... O que se prepara práqui? Em breve saberão... é o Loverboy Revival!!!

Sexta-feira, 19 de Abril de 2013

Malhete!



Amµnition_Planet Mu Records Mixed Sampler Album (Planet Mu; 2004)

Ok! É de 2004 e estamos em 2013... Mas é um disco fixe, caralho! Jungle revisitada, Breakcore-porque-sim, Gabba camuflada e outros estilos metidos em 80m compactos para festa diabólica em Berlim ou na República Checa - por cá já houve disto mas já kaput há muito tempo, infelizmente. Melhor que isto só mesmo The Bug! E The Bug não tem nada haver com isto...

Domingo, 14 de Abril de 2013

Apareçam e tragam o vosso excitado doppelgänger...


Afonso Ferreira (Portugal, 1988) tem trabalhos de ilustração e BD publicados na Playboy, Cais, Lodaçal Comix e várias antologias da Associação Chili Com Carne: Destruição ou bandas desenhadas de como foi horrível viver entre 2001 e 2010Boring EuropaFuturo Primitivo e Mesinha de Cabeceira

No final de 2012 saiu o seu segundo livro de BD a solo Love Hole , pela Chili Com Carne e Ruru Comix, que será o motivo da exposição a inaugurar dia 18 de Abril (quinta-feira), pelas 22h, na loja Rose Purple Erotic Luxury  (na Pensão Amor, Lisboa), onde regularmente tem havido exposições de ilustração erótica iniciada com o Calendário da AcontorcionistA, e continuado por exposições de Ana Menezes, Pepedelrey,...

Para esta exposição Afonso Ferreira preparou cinco novas imagens, cinco "pin-ups" homoeróticos das personagens do livro, plenos de provocação e humor, no espírito desta BD que têm confundido conservadores, hipócritas e norte-americanos politicamante correctos. 

Para os coleccionadores de Arte e fetichistas do papel, foi feita ainda uma serigrafia limitada a 20 exemplares que estará à venda na inauguração.

Quarta-feira, 10 de Abril de 2013

Terça-feira, 2 de Abril de 2013

I want to ride my bicycle!



v/a : Project Bicycle (Ache; 2006)

Música e bicicletas, faz algum sentido? Claro que sim, faz tanto como skates e pizzas... Foi como uma forma de manifesto que a editora canadiense Ache convidou artistas do seu catálogo e mais alguns convidados internacionais - o mais conhecido será o Jason Forrest - para pegarem em "samplers" de sons de bicicleta (gravados e cedidos pela editora) para fazerem música com eles. No espírito "open source" esses  mesmos samples aparecem na última faixa do disco para quem ainda quiser pegar nos mesmo para brincar às misturas - como aconteceu com um disco de [f.e.v.e.r.].
Os temas criados na essência dividem-se em variações do Techno - Minimal, Micro-House,... - sempre com a presença do Glitch da máquina mecânica - a bicla - seja com das manipulações digitais. Quem pisa nas regras e se safa com isso, é o Forrest que sem pudor sampla também os Queen e o seu o glorioso tema Bicycle Race para nos dar um tema Disco-Breakcore no final do CD. Não há aqui radicalismos Noise ou de qualquer espécie, os exercícios que se praticam são amenos e os sons das buzinas e campaínhas lembram palhaços e circo... Um ponto negativo que mancha quase todos os esforços.
A capa é do Jelle Crama, uma razões de comprar o disco a um terço do preço na Matéria-Prima... Ou pensavam que comprei isto para ouvir enquanto lia o Pedal?

Quarta-feira, 27 de Março de 2013

The 15th Rebellion of the Steel Warriors


Para quem pensava que isto não ia acontecer...
eis finalmente o DVD sobre a 15ª edição (e comemorativa) do SWR - Barroselas MetalFest.

O DVD é um documentário produzido pela Lula Gigante e a acompanhar a caixa está um zine de BD de Marcos Farrajota com um especial Não 'tavas lá?! - uma série de tiras de BD sobre crítica a concertos, publicadas no passado em revistas como a Rocksound, Underworld : Entulho Informativo e vários fanzines. Para este DVD, foram feitas 24 páginas de reportagem sobre a 15ª edição do Festival de Metal mais extremo em Portugal e que acaba por ser o festival (de grande envergadura) mais simpático que há por aí. Bem merece ir para o seu 16º ano - como aliás irá acontecer este ano entre 24 e 27 de Abril!

Capa e design por André Coelho

oferta do zine na compra de qualquer outro artigo da loja da CCC

Sábado, 23 de Março de 2013

África é omnipresente, logo o que é ainda africano?

Cut Hands : Black Mamba (Susan Lawly; 2012)

Quando oiço este disco é impossível não pensar no trabalho de HHY & The Macumbas, ambos partilham a exploração sonora de batidas Voodoo e também o imaginário Vévé para ilustrar os discos. Claro que depois disso os caminhos não se cruzam mais, a começar pelo facto de Cut Hands ser de uma criatura só, o William Bennet que fazia parte dos tenebrosos Whitehouse. Se com este projecto a tendência era para provocações Noise sobre psicopatologias sexuais (a temática pedófila já enjoava!), Cut Hands é um jogo envolta da percussão africana sem entrar em recriações etnográficas mas provavelmente à procura de um estado hipnogógico e vaporoso - como o primeiro tema, Witness the spread of the dream, sugere. Este é o segundo disco deste projecto, se o primeiro álbum havia uma componente de power electronics vinda ainda de Whitehouse, neste há temas mais ambientais e aparentemente menos violência - ontem coloquei algumas faixas deste disco na festa do Kassumai, e deu para sentir a força de temas como Black Mamba ou No spare no soul.
É uma viragem no trabalho de Bennet, embora o interesse por África já vinha de trás - a maior parte dos músicos Industriais e Noise, dos mais velhos como SPK ou Throbbing Gristle aos mais novos como Sektor 304 são fascinados pelas percussões polirítmicas africanas - ou mais concretamente pela "colectánea" Extreme Music From Africa (Susan Lawly; 1997).

Claro que Cut Hands não é o primeiro "pula" a explorar África musicalmente - nem é bom falar do resto, sobretudo nós portugueses que tanto terror espalhámos por lá. Eis um caso de 1962, A Swingin' Safari (Polydor) do alemão Bert Kaempfert que é um disco de easy listening / lounge que de africano nada tem graças às suas orquestrações de branquelos burgueses. O mais próximo que temos é um dos primeiros hits da Aldeia Global, Wimoweh, tema que reomenta a 1939 e mais tarde popularizado pelo filme da Disney do Rei Leão - The lion sleeps tonight..
Aliás, a capa diz tudo, se a tipa não tivesse num estúdio de fotografia na Alemanha e tivesse mesmo ido para algures em África ela estaria com um ar menos tonto de tanto chucrute e com as pernas cheias de picadas de mosquitos e de merda por sofrer de disenteria. É um disco encantador como qualquer outro do tipo (Paul Mauriat, Herb Alpert,...) para quem nunca foi ao continente negro e nem quer saber o que ele realmente ele é...


De resto, a exploração de sons africanos em contextos ocidentais nunca deixou de existir até aos dias de hoje, recordo aqui por exemplo dois Maxis a provar isso, passando pelo Italo Disco de Africa (Zanza / MVM; 1982) de Key of Dreams e House europeu de Hello Africa (Logic / Ariola; 1990) de Dr. Alban com Leila K.

No primeiro caso é um maxi que toma o tema de uma banda horrível norte-americana de AOR, os Toto... Só o nome e as suas figuras de brancos repugnantes! A versão italiana faz saltar os sintetizadores e as batidas tribais, também lhe dá num vocoder mas o tema continua a ser tão ridiculo como sempre foi. Melhor é o lado B com uma Dub mix da treta em que há um bocado menos voz. Ainda dizem que os negros são foleiros...

O Dr. Alban sempre é um bocado mais honesto porque apesar de ser sueco é de origem nigeriana - e é dentista para usar o prefixo de Dr. embora quem é que pode acreditar num nigeriano, né? Hello Africa deve ser o único tema dele que não é vomitante, numa enorme carreira de Euro Trash do piorio. Este Maxi tem três misturas que se separam do funcionalismo Pop de 3 minutos do tema original, realçando os toques exóticos com Dub manhoso ou até sons de passarinhos (da selva?). Não é mau de todo... Tal como o Wimoweh estes temas são ciclicamente recuperados pelos maricas do costume, como por exemplo, produtores noruegueses de música electrónica de dança como Rune Lindbæk que no projecto / colectânea Klubb Kebabb (Noid; 2007) recuperou o Africa / Key of Dreams juntamente com outro lixo Disco.




Claro que temos a mania de colocar coisas em caixas e modelos, para muitos a música africana subsaariana é aquele Afropop como o Bonga (ainda há pouco entrou em casa o Diaka (Diálogo), de 1990, pela Discossete) ou Afrobeat em que teve King Sunny Adé como um dos grandes sucessos mundiais, do qual aconselho o Synchro System (Island; 1983). Mas quando chegamos a discos dos Black Power  com Mornas e Coladeiras (Orfeu; 1976) ou dos Voz de Cabo Verde com Viva Liberdade (VCV; 197_?) ficamos confusos, sobretudo com a Voz de Cabo Verde que faixa a faixa foge aos "sons africanos" para se meter com ritmos sul-americanos, soul e até um certo Rock Psy.

Para se perceber o que se passa por aqui é preciso ler textos em inglês e francês sobre a banda e a emigração caboverdiana. ao que parece há uma enorme comunidade caboverdiana na Holanda que vêm desde os anos 60/70, onde os VCV e outros músicos para ganhar a vida tocavam, em bares e salas de dança, e ehm... como antes não havia DJs ou youtube para animar uma festa, eles tocavam um bocado de tudo o que estivesse a dar na altura - é o que acontece ainda hoje com as bandas de "covers". Pelos vistos nas gravações, todas essas influências, camufladas ou assumidas entravam em disco.

No caso de Black Power, nome que deveria ofender os portugueses porcos colonialistas, a música de caboverde é mais assumida e até fico com pena que o nome da banda não lhes influencie para o Funk e ondas mais anglo-saxónicas, embora haja um orgão bem ácido sempre presente.

Por fim... o que dizer sobre os Die Antwoord? Branquelas da África do Sul, o único país que teve os brancos a reinarem como uns porcos até há pouco tempo - não esquecemos que o regime racista do Apartheid esteve no poder ainda até 1994! Ainda nem 20 anos se passaram... Mas ignorar $O$ (Zef / Cherry Tree / Interscope; 2010) é uma parvoíce até porque é o único momento Pop realmente basilar para um novo milénio que foi tão chato. E à partida inprovável, afinal quem acha que num mundo do inglês um casalito bling-bling white trash a cantar misto de inglês com africaans (um dialecto holandês tão nojento como os brancos que foram para lá) poderia subir à escala global. O sucesso deveu-se a vídeo-clips virais como o primeiro Enter the ninja que mostrou uma África cosmopolita ao sabor do Ocidente mas com uma ponta de freak e de errado. A música vai buscar o Techno euro-trash com um Rap manhoso, a imagem ultrapassa a música tal como é normal no Pop, no entanto, ao contrário de umas Spice Girls em que uma cambada de criativos de agências publicitárias criaram a "marca" (imagem, conceitos, estratégias, etc...) aqui a visão fabricada vêm de directamente da imaginação do grupo. Aliás, daqui o projecto parece nitidamente um projecto multimedia artístico querendo subverter a normalidade burguesa distorcendo símbolos genéticos, económicos e sociais... Não é à toa que o fato encapuzado da capa seja do Gary Baseman ou aja ligações aos autores de BD da polémica Bittercomix. A primeira década do século XXI acabou bem, e novamente, tudo volta a África.

Sábado, 23 de Fevereiro de 2013

um Farrajota que bem!

(...) Tal como o próprio título indica, Amamos Duvall é um disco de afectos: tem bangers e hinos de recurso, tem lições de pai para filho (a lembrar o Lou Barlow ultra-íntimo de Sentridoh), tem crónicas irresistíveis do que era ser punk nos anos 90 (e, nisso, Tiago está próximo de um Farrajota) (...)

virei referência punk não sei porquê ou como ou para quê... imagino uma série de putos e hipsters agora mesmo a googlarem "Farrajota" para saber o que é... Farrajota? É um pintor? Um mamífero? Bof! Entretanto já tinha escrito sobre o disco do Tiago aqui.

Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2013

Um bom cantautor é um bom cantautor



v/a : The Greatest Songs of Woody Guthrie (Vanguard / Edisom;  1972 / 1984)
Momus : Circus Maximus (Él / Cherry; 1986)

Há quem diga que os cantautores são uma grande esfrega, o que é bem verdade. É verdade para isto como para qualquer outra coisa criativa não tenha nada para dizer. Eis dois casos de malta que safam o cantautorismo. Woody Guthrie (1912-1967) é a figura máxima do Folk norte-americano, activista de esquerda que tanto recuperava canceoneiro popular como escreve canções para crianças - para subverte-las ao perigo vermelho como é óbvio... Uma espécie de Zeca Afonso do outro lado do Atlântico, influenciou malta tão diferente como o Bob Dylan ou o Joe Strummer, e não há punk consciente que não use a sua máxima "this machine kills fascists". Com algum receio comprei um álbum dele, que aind apor cima é o disco menos Guthrie possível porque trata-se de um álbum de homenagem com poucas intervenções do senhor. Bem melhor do que julgava, e se as versões geralmente são inferiores ao original, então tenho de encontrar um disco só dele. Curiosamente esta edição portuguesa é uma trafulhice se não tivesse tão ilustre capa, o álbum deveria ser duplo (a edição portuguesa não inclue "volume 1" na capa como esta imagem que encontrei na 'net) e claro está, a versão portuguesa só inclue um disco! É aquela mitrice 'tuga...
O Circo é o primeiro disco do britânico Momus, em que compõe e canta de guitarra, ou seja antes das máquinas entrarem em acção lá irá acontecer mais lá prá frente da sua carreira. Tudo é claro e transparente podendo ouvir-se o gozo à Bíblia e às ambiguidades homo-eróticas e sodomitas do cristianismo. Um mimo com muito estilo - sonoro e lírico - que mostra que seja em 1986 ou em 2012 ainda há 2000 anos de uma horrível cultura para desmontar e ridicularizar... De meter ao lado do Celso e do Saramago (O Evangelho Segundo Jesus Cristo) embora seja um LP que não harmonize bem com os formatos dos livros.




Entretanto na Feira da Ladra descobri o Donovan - só conhecia o Sunshine Superman - e peguei no single Riki Tiki Tavi (Epic / CBS; 1970) pela capa a feder a psicadelismo gráfico finlandês - já mesmo o título soa a suomi! Dois temas folk psicadélico que metem a produção contemporânea de rastos - ou pelo menos a fraca produção portuguesa. Se existe uma beleza puramente estética por mais freak e fatela que possa soar. Impressionante, depois disto fui meter-me sem medos noutro single: I like you de 1973 que também não é mau... Caramba, agora percebo porque os meus favoritos Butthole Sufers fizeram uma versão do Hurdy Gurdy Man! Um cromo disse-me que Donovan é bom até 1973 e que depois é para esquecer - realmente vendo youtubes recentes do homem, ele perdeu a chama e interesse, é caso para investigar...

Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2013

CIA info 79.0

Os Acromaníacos fazem ou fizeram 20 anos, vão lançar um CD duplo ao vivo... e uma série de gajos vão intervir nas páginas do "booklet". Um Marcos Farrajota entre 1985 e 1990 também vai participar, eis o "work-in-progress" da coisa.